Deputada mais votada do país, Janaina Paschoal vê Legislativo mais atuante em SP

Deputada mais votada do país, com 2,06 milhões de votos, Janaina Paschoal (PSL) afirma que mantém uma posição independente no Legislativo, em seus seis primeiros meses de mandato. Em conversa com o fundador e conselheiro do Desenvolve Vale, Kiko Sawaya, ela afirma que a Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) passa por um salto qualitativo e que a casa tem analisado com mais rigor os projetos vindos do governo.

Além de brigar por seus projetos na Alesp – a deputada conseguiu aprovar o projeto de lei que garante às gestantes da rede pública o direito à cesariana –, Janaina diz que suas ações como parlamentar vão além disso. Para ela, é fundamental que os deputados sejam criteriosos ao analisar todos os projetos da casa.

“Minha atuação tem sido com o objetivo de tentar fazer uma avaliação independente dos projetos da casa. As pessoas não entendem muito essa questão de eu não me colocar nem como base, nem como oposição. Até para a imprensa fica difícil. Mas procuro ser criteriosa, inclusive quando os projetos vêm do governo”, afirma.

Janaina diz ter uma relação cordial e constitucional com o governador João Doria (PSDB). De acordo com ela, o governo tem conseguido aprovar a maioria de seus projetos, mas com emendas aglutinativas impostas pela casa. Ela afirma que o trabalho do Legislativo tem inclusive melhorado a qualidade das propostas enviadas pelo governo.

“Acho que o governo estava acostumado a enviar projetos muito genéricos. Temos pedido a presença dos técnicos para explicar as proposituras. Cheguei a votar contra em duas oportunidades. Em outras, só votei a favor depois das emendas, como no caso da desestatização do Instituto de Botânica, em que só fui favorável após a garantia do trabalho dos pesquisadores.”

Janaina Paschoal

Burocracia e guerra fiscal

Alguns dos maiores questionamentos do empresariado do Vale do Paraíba e Litoral Norte, como a burocracia do Estado e a questão fiscal, também estão no campo de ação da deputada. Ela afirma que não há, neste momento, um panorama favorável à desburocratização em um curto prazo.

“O pessoal do Partido Novo tem algumas ideias que, a princípio, eu e a bancada apoiamos. Algo muito próximo ainda não tem em andamento na casa. Há vários projetos que envolvem ICMS e IPVA, por exemplo, mas a interpretação que prevalece é que são inconstitucionais, pois não vêm do governo.”

Para incentivar a indústria, o governo aposta em um projeto, já em tramitação, para financiar, por meio de isenção fiscal (80% do ICMS), empresas do ramo automotivo que apresentem uma proposta de inovação e geração de empregos. A pesselista, no entanto, é reticente quanto à proposta.

“Falo por mim: eu tenho uma preocupação em como será a análise dos projetos que receberão o fundo. Como garantir que esse incentivo será para todos e não para formar uma bolha de privilégios? Durante o processo de impeachment, analisei muito de perto os empréstimos do BNDES e percebemos que houve beneficiamento de alguns grupos. O Brasil é muito emperrado pela burocracia, mas a gente precisa diminuir esse problema sem aumentar a insegurança”, diz.

Janaina Paschoal na Prefeitura de São Paulo?

Apesar de despontar como principal nome na corrida pela Prefeitura de São Paulo, cidade por onde se elegeu deputada, Janaina Paschoal é categórica ao afirmar que não vai se candidatar. 

“É engraçado que até pessoas que planejam se candidatar estão me procurando. Mas, para mim, é uma questão de correção com tantos votos que eu tive no interior e litoral. Não seria justo abandonar o mandato para governar apenas para a capital, embora seja uma cidade importante para o país”, diz.

Sobre o Governo Federal, a deputada acredita que, no geral, já houve uma melhora. “Eu entendo que melhorou, porque o presidente não está atuando como vinha sendo antes, tentando fugir dos acordos. O (presidente Jair) Bolsonaro tem uma linha ideológica própria, com manifestações exacerbadas. Mas se for sopesar, ainda está bom. Mas isso não significa que vamos perder o senso crítico”, conclui. 

Ouça a entrevista completa:

 

 

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