Diretor do Colégio Planck, André Guadalupe destaca aprendizados das escolas durante pandemia de Covid-19 em entrevista a Kiko Sawaya

Uma das atividades mais afetadas pela pandemia do novo coronavírus, a educação tem enfrentado grandes desafios desde que o isolamento social foi implementado. Co-fundador e diretor do colégio Planck em São José dos Campos, André Guadalupe vem sentindo na pele as mudanças nesse segmento. Ele foi o entrevistado do coordenador do Desenvolve Vale, Kiko Sawaya, durante o Jornal da Manhã, da Jovem Pan São José, nesta sexta-feira (22).

De acordo com Guadalupe, que também é membro do conselho do Desenvolve Vale, as escolas tiveram de se ajustar rapidamente para um ambiente virtual, no qual as aulas acontecem numa dinâmica diferente daquela “olho no olho” entre professores e alunos. Ele afirma que a palavra do momento é adaptação.

“Esta migração para o ambiente virtual é um desafio para todas as escolas. Estima-se que 90% dos jovens em idade escolar estejam em casa neste momento. Todo o processo, desde a preparação das aulas, é diferente. E a adaptação vai depender muito do DNA da instituição. No Planck, por exemplo, a cultura digital sempre esteve dentro da proposta”, disse.

André Guadalupe

O diretor do colégio Planck afirma que estudantes podem amadurecer nesta adversidade; foto com os alunos foi feita antes da pandemia

Mesmo em escolas mais adaptadas ao ambiente virtual, Guadalupe explica que a nova realidade exige também novas habilidades dos professores. “Eu mesmo precisei me tornar um expert em edição de vídeos para apresentar durante as aulas”, contou o diretor, que também leciona na escola.

Aprendizados

Evidente que falar em oportunidades em meio à maior pandemia dos últimos tempos não soa bem. De qualquer forma, um aprendizado a mais para os alunos neste momento em que a ordem é de isolamento social é a organização do tempo e disciplina no cumprimento de tarefas.

“Estamos acompanhando jovens de 11 anos já avançando em seu amadurecimento. Principalmente nos quesitos de autogestão, organização e prioridade de afazeres na rotina. É um aprendizado fantástico que eles vão levar para o mundo presencial assim que a volta for liberada”, afirmou.

No colégio, além da grade curricular, os alunos também participam de aulas eletivas no período do contraturno. A experiência ajuda, de acordo com o diretor, a aliviar os dias de isolamento, incentivando os jovens a se empenharem não só na parte acadêmica, mas em atividades fora desse universo.

Negociação

Com a crise econômica causada pela pandemia, outra questão importante na gestão das escolas é a financeira. Muitas famílias se viram de uma hora para outra com parte de sua renda comprometida, isso quando as atividades não foram paralisadas 100%. E como o gestor da educação deve lidar com essa realidade? Para Guadalupe, a resposta é seguir caso a caso.

“As famílias foram afetadas de formas diferentes pela crise. Então, a negociação também deve levar em consideração cada caso. É fundamental mostrarmos empatia neste momento para que a relação escola e família saia fortalecida desta turbulência”, afirmou.

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