Convidada por Kiko Sawaya, Bruna Sereno fala sobre experiência como CEO de empresa imobiliária na Flórida e aponta oportunidades na retomada

Ainda sob a crise causada pelo novo coronavírus, os Estados Unidos começam a se reerguer economicamente. Aos poucos, lojas, parques e restaurantes estão voltando a funcionar. Há 14 anos no país, a CEO da Selecta Realty, Bruna Sereno (@bruna.sereno), foi a convidada de Kiko Sawaya (@kikosawaya), coordenador do grupo Desenvolve Vale, para uma reunião, via videoconferência, nesta segunda-feira (25). O encontro foi fechado para conselheiros e ofereceu um panorama dessa retomada, principalmente nas cidades de Miami e Orlando, na Flórida.

A Selecta Realty é especializada na negociação de imóveis em ambas as cidades, principalmente para clientes estrangeiros. De acordo com Bruna, o mercado imobiliário, sempre sensível às mudanças da economia, já tem dado bons sinais de recuperação. Nas cidades, famosas pelos parques e atrações turísticas, crescem as reservas de casas de veraneio para viagens já no segundo semestre de 2020.

Durante a reunião, ela ressaltou o plano de emergência do governo norte-americano para que a economia continuasse a girar mesmo durante a crise. No total, entre investimentos e benefícios, o plano de resgate foi de US$ 2 trilhões, o que representa pouco mais de 10% do PIB dos Estados Unidos – que em 2019 foi de US$ 21,06 trilhões.

Bruna Sereno

Bruna Sereno está há 14 anos nos Estados Unidos e destaca potencial turístico no pós-pandemia

“Ao contrário do que aconteceu durante a crise financeira de 2008, os bancos estão saudáveis. O que para o setor imobiliário é uma ótima notícia, já que naquele ano muitas pessoas deixaram de pagar seus imóveis logo depois de dar a entrada. Desta vez, o cenário é diferente: os bancos oferecem benefícios e alongam os prazos dos financiamentos imobiliários. Por outro lado, as pessoas estão menos propensas a abandonar o contrato”, disse Bruna.

O plano de retomada dos Estados Unidos conta com três fases até a volta à normalidade, com a reabertura total de comércios. Elas evoluem conforme o número de infectados regride. Atualmente, o país está na primeira fase, mas com a redução da disseminação do novo coronavírus, algumas concessões já estão sendo permitidas.

“O que a gente percebe é um cuidado grande do país para que não haja regressão nas medidas, o que aconteceria, por exemplo, com a necessidade de uma segunda onda de lockdown. Atualmente, as academias abriram, e bares e restaurantes já receberam permissão para trabalhar com 50% de sua capacidade”, afirmou a CEO da Selecta Realty.

Expectativas para o mercado imobiliário

Bruna explica que, apesar do câmbio desmotivador, quem pretende investir em imóveis nesta época pode fazer um bom negócio. Há alguns motivos para acreditar nessa previsão: primeiro, as condições que as construtoras oferecem aos compradores neste momento. Já que a ordem é movimentar a economia, os compradores podem, inclusive, negociar um câmbio mais vantajoso, com o dólar a R$ 4,50, por exemplo.

“Com o câmbio alto, quem comprou uma casa com o dólar a R$ 3, por exemplo, tem aceitado negociar a taxa de conversão porque, ainda assim, estará com seu imóvel valorizado. Outra questão é a demanda reprimida de turistas, que devem lotar as cidades da Flórida já no final do ano”, explicou Bruna.

Ela ainda afirma que o investimento mais procurado são as casas de temporada, ou seja, aquelas alugadas durante as férias. O negócio é promissor também porque a tendência é um comportamento diferente do turista, que dará preferência a casas, e não hotéis – onde há mais concentração de pessoas.

“Outra questão importante é que os investidores não precisam se preocupar se a alta do dólar vai diminuir a procura pelas atrações turísticas da Flórida. Isso porque a maioria dos visitantes, mais de 60%, é formada por turistas domésticos, aqui dos Estados Unidos.”

Os investimentos em novas atrações também são interessantes. Além dos destinos já conhecidos, a Flórida ainda contará com um novo parque temático da Universal Studios previsto para 2023; um Grande Prêmio de Fórmula 1, em 2021; sem contar a Copa do Mundo de 2026, que será sediada por EUA, Canadá e México.

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